A compostagem é a arte de transformar o lixo em adubo orgânico, criando as condições adequadas aos microorganismos para que degradem a matéria orgânica e disponibilizem nutrientes para as plantas. O aumento populacional e a crescente industrialização têm agravado os problemas associados à produção de resíduos sólidos urbanos.
O manejo inadequado desses resíduos contribui para a degradação da qualidade ambiental, poluindo o solo, a água, o ar e oferecendo riscos à saúde pública, tornando assim estratégica a elaboração de políticas que valorizem a minimização da produção de lixo e, sobretudo, o seu reaproveitamento.
A compostagem surge como uma alternativa, não só pelo aproveitamento da fração orgânica biodegradável do lixo, que pode ser tratada (estabilizada) e transformada num composto orgânico de excepcional qualidade, o húmus, como também por contribuir à minimização dos impactos ambientais, redução do lixo destinado ao aterro, aproveitamento agrícola da matéria orgânica, reciclagem de nutrientes para o solo, eliminação de patógenos, etc.
LIXO URBANO: MATÉRIA PRIMA DA COMPOSTAGEM
O lixo resultante das atividades humanas em aglomerações urbanas, compõe-se basicamente de sobras de alimentos, papéis, papelões, plásticos, vidros, metais, trapos, resíduos de jardinagem, entulhos, etc. Estudos demonstram que cerca de 60% dos constituintes do lixo urbano são matéria orgânica biodegradável.
No Hotel SESC Porto Cercado, os componentes básicos dos resíduos sólidos não se diferenciam daqueles produzidos nas cidades, porém a sua composição gravimétrica é bastante peculiar,
apresentando cerca de 80% de resíduos sólidos orgânicos, recicláveis, o que favorece a aplicação do processo de compostagem e o manejo integrado dos resíduos produzidos.
Uma maneira proveitosa de se utilizar a matéria orgânica é oferecida pela técnica de compostagem, ato ou ação de transformar a matéria orgânica contida no rejeito de origem animal ou vegetal em húmus, e que compreende dois estágios distintos.
No primeiro estágio ocorre uma degradação ativa da matéria orgânica com aumento da temperatura (fase termofílica), não devendo a temperatura ultrapassar 65°C, momento em que ocorre a inertização dos microrganismos patogênicos.
No segundo estágio, uma vez reduzida e estabilizada a temperatura, primeiramente a valores inferiores a 60°C, até atingir a faixa de 40°C, o material entra em fase de maturação, quando ocorre a formação dos complexos húmicos. É também nessa fase, onde se pode manter a temperatura inferior a 30°C, que se deve proceder à inoculação de minhocas quando do uso da técnica de vermo compostagem.
COLETA SELETIVA DOS RESÍDUOS ORGÂNICOS
Os funcionários da limpeza efetuam, duas vezes ao dia, a coleta seletiva dos resíduos orgânicos nos locais de geração. Os resíduos orgânicos, assim como os demais resíduos recicláveis e rejeitos deverão estar segregados e acondicionados em sacos plásticos específicos para cada tipologia pré-determinada.
RETIRADA DE IMPUREZAS E DE MATERIAIS INERTES
Todos os resíduos coletados deverão ser conduzidos até a Estação de Resíduos para Reciclagem, onde os materiais recicláveis orgânicos, inertes e os rejeitas terão tratamentos específicos. A matéria orgânica será verificada no balcão de triagem, sem precisar ser derramada sobre o mesmo e deverão ser retirados dos sacos plásticos os resíduos inertes ou impurezas possíveis de verificação. Em seguida estes sacos plásticos deverão ser novamente fechados e armazenados no refrigerador destinado exclusivamente para este fim.
TRANSPORTE PARA O SETOR DE COMPOSTAGEM
O transporte dos resíduos orgânicos para o setor de compostagem deverá obedecer a freqüência de uma vez por semana, observando-se todas as recomendações próprias.
TRITURAÇÃO - HOMOGENEIZAÇÃO GRANULOMÉTRICA
A importância da trituração está em homogeneizar a massa dos resíduos a compostar, aumentando a área superficial e, consequentemente, melhorando a ação dos microrganismos na degradação da matéria orgânica. A granulometria das partículas governam os movimentos dos gases e líquidos no interior da leira, também, facilita a manipulação e a umidificação dos resíduos.
CONSÓRCIO, HOMOGENEIZAÇÃO E MONTAGEM DAS PILHAS
Na montagem de uma pilha balanceada, a proporção em massa (peso) da mistura de resíduos orgânicos é a seguinte: 30% de restos de alimentos + 30% de material palhoso + 30% de esterco + 10% de serragem.
CONTROLE OPERACIONAL
A condução do processo de compostagem, em pilhas, envolve medidas relacionadas aos aspectos biológicos e ambientais que proporcionam as condições requeridas ao desenvolvimento do processo. Na primeira fase a atividade de degradação é máxima, tomando-se necessário o controle da temperatura (reviramento periódico) e da umidade da massa em compostagem. Nesta fase, nas unidades artesanais, com reviramento manual, são necessários cerca de 70 a 90 dias para a estabilização dos resíduos e início da fase de maturação, que irá se prolongar por mais cerca de 40 dias. O monitoramento da massa de resíduos em compostagem é fator fundamental, necessitando o controle dos parâmetros: umidade, temperatura, reviramento, etc, conforme exposto anteriormente.
CLASSIFICAÇÃO DO COMPOSTO
O composto maturado (curado) produzido a partir dos resíduos orgânicos apresenta alto grau de decomposição, não possibilitando a identificação da matéria originalmente contida, tem cheiro característico de terra molhada e sua coloração varia do cinza escuro ao negro. Sua classificação será feita através do peneiramento manual, por lance, em peneira com malha de 20 mm. O material que não passar pela peneira pode ser incorporado aos resíduos que compõem a matéria prima a ser compostada, quando da montagem da pilha, e servirá como inoculum, contribuindo para ativar a decomposição dos resíduos.
APLICAÇÃO DO COMPOSTO
O composto orgânico apresenta propriedades capazes de melhorar as condições físicas, químicas e biológicas do solo, tais como: retenção da umidade do solo, prevenção contra a erosão, aumento da permeabilidade da água durante as chuvas, melhoria das propriedades biológicas do solo, e fornecimento de nutrientes minerais.